TBM – Leixões finalista da Taça de Portugal 2001/02

Neste dia em 2002, um Leixões a militar na II Divisão B disputou a final da Taça de Portugal. Quem se lembra do jogo e da caminhada dos bebés do Mar até ao Jamor?

O Leixões está entre os 13 clubes que já ergueram a Taça de Portugal, tendo-o conseguido através de uma vitória sobre o FC Porto na final de 1961, disputada nas Antas. Mas é também o autor de uma façanha inédita na história da prova rainha: foi a única equipa a atingir o jogo decisivo enquanto militava no terceiro escalão, na altura a II Divisão B, em 2001-02.

Comandada por Carlos Carvalhal, a equipa matosinhense contava com jogadores como o goleador gabonês Henri Antchouet, os experientes médicos Besirovic, Abílio Novais e Tozé, o veterano central Sérgio Abreu e os jovens Pedras e Bruno China. Era uma equipa recheada de jogadores com experiência na I Liga e desenhada para subir à II Liga, mas que até nem cumpriu o principal objetivo da temporada, uma vez que foi o Marco, que somou os mesmos 83 pontos, a almejar a desejada promoção na Zona Norte da II B.

A histórica caminhada do Leixões até à final da Taça de Portugal começou na segunda eliminatória, numa visita ao terreno do Pevidém, na altura a militar nos campeonatos distritais da AF Braga, tendo valido o golo solitário de Pedras aos nove minutos para selar a vitória e o apuramento.

Seguiu-se a receção a um emblema de uma divisão superior, o Desportivo de Chaves, que na altura até se encontrava nos lugares cimeiros da II Liga. Os leixonenses necessitaram de prolongamento, mas alcançaram o triunfo com um golo ao cair do pano, quando já se pensava em jogo de desempate. Pedras foi, uma vez mais, o autor do único remate certeiro da partida, aos 119 minutos.

Uma semana depois, o Leixões jogou para a quarta eliminatória da Taça de Portugal na casa do quase vizinho Varzim, que na altura militava na I Liga. Os leixonenses voltaram a transcender-se. Primeiro levaram o 0-0 para prolongamento, depois responderam da melhor maneira ao golo inaugural de Paulo Piedade aos 105 minutos, conseguindo empatar por Detinho (107’) e virar para 1-2 por Antchouet (114’). Contudo, os varzinistas então comandados por Rogério Gonçalves restabelecer a igualdade ao cair do pano, por Vítor Manuel (118’), que atirou a decisão para o jogo de desempate, em Matosinhos.

No Estádio do Mar, o Leixões voltou a resolver o assunto à… pedrada. Sim, Pedras voltou a ser decisivo, desta vez com dois golos, precisamente o que abriu (ao 35’) e fechou (81’) uma vitória por 3-1 sobre os poveiros. Pelo meio, Mendonça empatou para o Varzim (43’) e Antchouet (66’) devolvem a vantagem aos matosinhenses.

À medida que a Taça de Portugal foi avançando, praticamente só equipas das ligas profissionais foram continuando em prova, mas o Leixões de Carlos Carvalhal nunca se importou com isso, nem quando visitou a equipa que nessa época se viria a sagrar campeã da II Liga, o Moreirense de Manuel Machado. Antchouet abriu o ativo logo aos sete minutos, ao passo que Roberto empatou aos 18’, estabelecendo uma igualdade que viria a durar até ao final da primeira parte do prolongamento, quando Luís Barros apontou o golo que deu a vitória aos matosinhenses (104’).

Nos quartos de final, o Estádio do Mar voltou a receber a visita de uma equipa da II Liga, o Portimonense, que na altura até ocupava um dos lugares cimeiros do segundo escalão. No entanto, os algarvios também caíram aos pés dos bebés do Mar, que venceram por 3-1. Antchouet (35 e 80 minutos) abriu e fechou o resultado, ao passo que Detinho ampliou a vantagem (68’) e Toni (72’) reduziu para os alvinegros.

Nas meias-finais, o Leixões foi jogar a casa do Sp. Braga, que ainda não tinha a força que tem hoje no futebol português, mas que já era um clube estabilizado na primeira metade da tabela da I Liga e que contava já com algumas participações nas competições europeias. Mas nem isso nem o coração bracarense de Carlos Carvalhal impediram mais um tomba-gigantes, com os matosinhenses a triunfar por 3-1 no Estádio 1º de Maio. Abílio abriu o ativo aos 49 minutos e Nené fez o segundo golo aos 80’, antes de Barroso reduzir para os minhotos (83’) e Detinho estabelecer o resultado final ao cair do pano (90’).

Por fim, a tão desejada festa do Jamor. Quem levou a melhor foi o Sporting, que assim conquistou a dobradinha, graças a um golo solitário de Mário Jardel (em posição irregular) aos 40 minutos. Mas a forma briosa como minimizaram as diferenças, tendo enviado duas bolas aos ferros da baliza leonina – livre de Abílio e cabeceamento de Antchouet – e a caminhada até à final encheu todos os adeptos matosinhenses de orgulho.

Vejam o resumo do jogo :

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